segunda-feira, 21 de julho de 2014

Pesquisa de mercado amplia e qualifica conhecimentos

A pesquisa é a ferramenta que permite aprofundar conhecimentos. Ela pode ser aplicada em qualquer área, inclusive no meio empresarial, para conhecer o comportamento dos clientes.

A pesquisa de mercado bem estruturada gera resultados excepcionais antes mesmo de ser colocada em ação, ou seja, só o fato de planejar faz com que entendamos mais o objeto de estudo. O alvo deve estar claro a fim de que os questionamentos sejam precisos. Em caso de muitas dúvidas suscitadas junto ao público é melhor que a pesquisa seja dividida e aplicada em tempos diferentes para que as conclusões sejam nítidas.

Infelizmente as ferramentas de pesquisas são pouco utilizadas pelas pequenas empresas e os principais motivos alegados são o desconhecimento da metodologia e o alto custo das mesmas.

        O auxílio do profissional especializado em pesquisas contribuirá para a obtenção de melhores resultados. Nos casos em que esta contratação não for possível orientamos se aprofundar no processo inconsciente que leva qualquer cliente à tomada de decisão, pois dará mais subsídios para a implantação da pesquisa. Este modelo genérico está dividido em quatro etapas:

        . reconhecimento da necessidade;
        . busca de informações;
        . avaliação das alternativas;
        . opção (processo de decisão).

        O processo mais assertivo para conhecer o mercado é compreender como um negócio se concretiza. Para isso é indispensável analisar o comportamento dos consumidores, fornecedores e da concorrência. A observação e a pesquisa são peças fundamentais para este método, capaz de retratar fielmente nichos lucrativos de produtos ou serviços.

        A investigação começa no planejamento. Discutir amplamente o que se deseja saber, quais perguntas que devem ser formuladas e como abordar o cliente são os pontos prioritários. A aplicação da pesquisa, ou seja, a coleta das informações primárias pode ser feita com a adoção das seguintes ferramentas:

        . entrevista (telefone ou pessoalmente);
        . pesquisa (internet ou pelos Correios);
        . questionários (internet ou pelos Correios).

        Invista no estudo dos aspectos que envolvem a tomada de decisão, pois contribuirá para melhor elaborar a entrevista, pesquisa ou questionário, e os resultados serão contundentes.

        A pesquisa de mercado poderá abrir os nossos olhos e permitir a descoberta de oportunidades de negócios. Assim também sairemos na frente dos concorrentes.


Tags: pesquisa, oportunidades, investigar, entrevista, decisão

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Como calcular o valor do honorário contábil?

Os dois questionamentos mais comuns no dia a dia do contador referem-se à forma de calcular o valor do honorário e o que fazer para competir com colegas que praticam valores tão baixos.

Acredito que você também já teve ou tem esta dificuldade e que o assunto é constantemente o tema de longos bate-papos com os colegas. Há outras perguntas difíceis de serem respondidas, mas talvez esta seja de mais peso: como pode tal escritório fazer a contabilidade por apenas este valor?

Histórias de empresários contábeis que perderam clientes para um colega que promete fazer os mesmos serviços com 50% ou mais de desconto são bastante comuns. Mas o que está acontecendo? Eu não sei calcular o valor justo, o colega está prostituindo o mercado ou os dois juntos?

A prostituição do mercado não acontece somente com os contadores, mas em todas as atividades com grande oferta de serviços, de maneira que hoje não iremos nos ater a este tema, naturalmente de grande relevância. Apenas digo que precisamos aprender a vender o que temos de melhor, que é a qualidade dos serviços.

O simples fato de comparar o honorário com determinadas tabelas disponíveis na internet ou com valores praticados pelos grandes escritórios não é sinônimo de garantia de preço justo. A forma como o serviço é executado pode fazer com que a sua empresa tenha alto custo de produção e consequente baixa rentabilidade, ao passo que outra empresa lucre, mesmo praticando valor um pouco menor, devido à eficiência produtiva.

É necessário calcular os honorários primeiramente com base nos custos, depois comparar com a concorrência e enfim identificar o valor percebido pelo cliente. Comparar com a concorrência é fácil e é o que a maioria faz. Identificar o valor percebido pelo cliente é mais difícil, mas de forma bastante resumida é prestar atenção no cliente para saber quais os benefícios que ele espera do serviço e, em função disso, cobrar mais ou menos. Nenhuma das duas formas citadas garante que o preço de venda definido irá gerar lucratividade. Então é o momento de calcular com base no custo.

Para precificar com base nos custos é preciso saber quantas horas de suas e dos colaboradores é possível vender, encontrar os custos diretos e indiretos da mão de obra e demais gastos e então dividir pelo número de horas vendidas. Nestes custos devem ser adicionadas as despesas de comercialização (tributos, comissões, responsabilidade civil etc.) e o lucro para encontrar o preço de venda.

De posse do preço de venda basta multiplicá-lo pelas horas investidas. Este é o honorário justo! Como conhecer o tempo investido no cliente? Adotando uma planilha eletrônica ou, ainda melhor, um software específico para facilitar o trabalho.


Este tema é amplamente abordado no livro “Honorários Contábeis”, que o auxiliará na implantação desta simples e produtiva metodologia.

Tags: honorário, tabela, prostituição, contabilidade.

terça-feira, 8 de julho de 2014

O imposto na nota fiscal pode ser o começo do fim

Um dia precisamos acordar para a importância necessária a este assunto, pois mais de 1/3 da nossa renda vai para as mãos do governo. É muito dinheiro!

A transparência tributária tão sonhada pelos brasileiros de bem aos poucos está sendo implantada e deverá ser fiscalizada. Constar na nota fiscal o valor equivalente ao total dos impostos naquela compra é de fundamental importância para que os cidadãos tomem consciência da significativa parcela que vai para o bolso do governo e deveria retornar para população na forma de educação, transporte, segurança etc.

Em 8 de dezembro de 2012 a Lei 12.741 foi assinada, definindo o prazo de um ano para a implantação e posterior sanções aos infratores, mas houve prorrogações e agora o prazo termina em 31 de dezembro de 2014.

Queremos, neste artigo, sugestão de um amigo leitor, chamar atenção para a importância de destacar o tributo, mas se este não for pago do que adiantou apontar na nota fiscal de venda ou fixar em local visível do comércio?

Sabemos que ainda existem muitos “jeitinhos” para não pagar tributos que geram a concorrência desleal. Destaco três formas grotescas que talvez sejam as mais praticadas na atualidade:
  • Empresários que declaram o tributo, mas não o recolhem à espera de leis generosas com prazos elásticos para o pagamento;
  • “Maracutaias” que reduzem os tributos a valores ínfimos;
  • Empresas com sócios “laranjas” que de tempos em tempos são desativadas e o governo não recebe o valor correspondente.

Esclarecer ao consumidor o valor do tributo na comercialização é apenas parte daquilo que é necessário, pois de nada servirá se o mesmo não chegar aos cofres públicos.

Sugiro algumas medidas que devem ser estudas pelos poderes legislativo e executivo e talvez transformadas em lei:
  • Obrigar os contribuintes a fixar a certidão negativa dos tributos federais, estaduais e municipal em local visível e atualizada semanalmente;
  • Imprimir na nota fiscal a informação se os tributos são ou não recolhidos regularmente;
  • Constar em nota fiscal e local visível se o contribuinte frequentemente faz uso dos parcelamentos de tributos;
  • Informar a data do início da atividade, pois assim o consumidor saberá se a empresa que existe há muitos anos foi constituída (outra vez) há poucos meses.

Com estas simples medidas os consumidores terão a opção de comprar de empresas sérias, que recolhem seus tributos em dia e geram caixa para o governo investir em programas sociais, especialmente na educação. Com o amadurecimento da conscientização dos cidadãos conseguiremos deixar de ocupar os primeiros lugares das nações que mais cobram tributos do povo e muito pouco oferecem em troca, como as infames aposentadorias.


Atenção: de toda a renda dos brasileiros, mais de 1/3 vai para as mãos do governo, através dos tributos. Portanto, outro importante passo que devemos tomar é a fiscalização cerrada dos homens que administram o dinheiro público.

Tags: tributos, imposto, arrecadação, governo, 12.741, transparência

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Pesquisa do CFC: Perfil do contador brasileiro

Mais uma pesquisa que apresenta o perfil e as dificuldades encontradas pela classe contábil. A colaboração do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e conselhos regionais é determinante para atingir 12.544 respostas.

Conhecer como atuam os contadores do Brasil é de fundamental importância para saber quais são as principais dificuldades da classe a fim de auxiliá-los. Os professores Ricardo Lopes Cardoso e André Carlos Busanelli de Aquino, com o apoio do sistema CFC/CRCs, lançaram a "Pesquisa Perfil do Profissional da Contabilidade 2012/13", cujo resultado está disponibilizado gratuitamente no portalcfc.org.br.

Recentemente foi divulgado o resultado Pesquisa Nacional das Empresas Contábeis (PNEC) realizada nos mesmos moldes desta, ou seja, com participação anônima e voluntária. A pesquisa do CFC representou 2,5% do universo de contadores e técnicos.

Abaixo transcrevo e comento alguns dos números revelados pela pesquisa:

- 21% tem sua própria empresa de contabilidade/auditoria, 9% são autônomos e 11% são funcionários das empresas contábeis. Chamo a atenção que quase 27% são funcionários das demais empresas da iniciativa privada. Assim é possível concluir que as empresas contábeis são formadas por grande parcela de funcionários que não estão registrados junto ao CRC;

- Mais de 60% gozam menos de 15 dias de férias anualmente. Este número revela a dificuldade da administração do tempo ou a necessidade de trabalhar para aumentar a renda;

- 37,4% desenvolvem paralelamente outras atividades com o objetivo da complementação da renda e/ou porque se trata de uma atividade complementar. As principais atividades citadas são consultor, professor, desenvolvimento de software, comércio e produtor rural;

- Quase 70% responderam que 80% ou mais da renda é proveniente da atividade contábil; 8% disseram que a renda proveniente da atividade contábil não passa de 40% da receita total;

- As principais dificuldades apontadas, já conhecidas de todos nós e também reveladas pela PNEC são:
            1) Burocracia dos órgãos públicos (78,6%);
            2) Constantes mudanças na legislação (76,8%);
            3) Falta de valorização pela sociedade (76,4%);
            4) Carência de bons cursos a preço acessível (68,1%);
            5) Falta de unidade da classe (65,6%);
            6) Concorrência desleal (57,7%).


Esta pesquisa é mais uma ferramenta importante para conhecer a realidade, mas de pouca utilidade se ficar somente nisto. Precisamos buscar soluções para ajudar a solucionar os principais entraves na vida dos contadores que sabiamente estão elencados nesta pesquisa.


Tags: pesquisa, CFCCRC, contador, honorário

segunda-feira, 23 de junho de 2014

NÓS, CONTADORES, E A SALVAÇÃO DAS EMPRESAS BRASILEIRAS

A constituição e a mortalidade de empresas são tratadas friamente em pesquisas e estatísticas nem sempre muito confiáveis. Uma ferramenta capaz de mudar o cenário real e virar o jogo de uma vez por todas está muito perto do governo e dos contribuintes.

A empresa é o resultado do sonho de uma ou mais pessoas físicas que colocam suas aspirações em prática. O ideal, aos poucos, se transforma num conjunto de ações bem coordenadas e oferece trabalho para o sustento de muitas famílias. O contrário também pode acontecer: um pesadelo com profundas marcas que só o tempo conseguirá apagar.

É função do governo oferecer condições para o surgimento e o fortalecimento desses empreendimentos, pois as empresas são as maiores geradoras das riquezas de um país.

A publicação recorrente de pesquisas a respeito do crescimento do número de empresas constituídas e também das baixadas suscita grande desconfiança, especialmente por parte dos contadores, quanto à eficiência dos resultados apresentados. A título de exemplo citamos uma pesquisa do Sebrae-SP que, baseado em dados compreendidos entre 2000 e 2005 fornecidos pela Junta Comercial de São Paulo, concluiu que 27% das empresas encerram as atividades no primeiro ano e apenas 36% permanecem em atividade após o sexto ano.

Infelizmente, muitos “empreendedores” fazem uso de subterfúgios para deixar de honrar compromissos com terceiros, inclusive o governo. Empresas podem se transformar em duas, três ou mais apenas nos órgãos governamentais, quando, em realidade, trata-se de uma só. Também se baixam empresas sem que as atividades sejam encerradas. A pergunta que fica é: como obter dados estatísticos verdadeiros para criar ações de proteção e auxílio?

Num país em que os espertalhões enriquecem injustamente, a exemplo dos “anões do congresso”, “mensalão”, do ex-juiz trabalhista Nicolau dos Santos Neto e, mais recentemente, do doleiro Carlos Alberto Youssef, sobram péssimos exemplos para incentivar a nação a buscar meios de crescer de forma justa e ordeira. Alguns empresários reclamam dos administradores públicos, esquecendo-se das inúmeras vezes em que fazem uso dos mesmos expedientes. A punição aos corruptos/espertalhões deve alcançar todos os agentes, públicos e privados.

O projeto de Lei 113/2011, que está tramitando na Câmara dos Deputados, pretende implantar o não pagamento de tributos, nos primeiros quatro anos, para as micros e pequenas empresas incluídas no Simples Nacional. A intenção é permitir que estas empresas só contribuam com os cofres públicos quando começarem a obter lucro. A intenção é muito boa, mas os empresários dificilmente começarão a lucrar sem assessoria profissional. Ao final dos quatro anos baixarão a empresa e constituirão outra em nome de terceiros, engrossando os equivocados índices de abertura de encerramentos de empresas no Brasil e desperdiçando dinheiro público.

Segundo a pesquisa acima citada, 28% dos ex-proprietários das empresas que encerraram as atividades disseram que a salvação poderia ter sido um empréstimo bancário. Para 18% deles, uma consultoria empresária impediria o naufrágio.

O mercado dispõe de excelentes contadores capazes de assessorar estes empresários, mas estes, infelizmente, contratam o profissional mais barato, acreditando assim reduzir as despesas e crescer mais rapidamente. O governo deveria criar uma ferramenta para remunerar o contador que auxilia o empresário em sua gestão, pois certamente a nação ganhará muito mais do que simplesmente deixar de recolher tributos por quatro anos.

Esta orientação poderá contribuir com a veracidade das estatísticas. Os contadores, por sua vez, investirão sua experiência para ajudar o Brasil e ainda poderão fidelizar os clientes.

Tags: pesquisas, estatística, mortalidade, abertura, constituição, empresas,

domingo, 15 de junho de 2014

Praticar honorários justos é vantajoso para todos!

Como desejar ser bem remunerado sem ao menos conhecer a metodologia de calcular o valor justo? Dê o primeiro passo e tenha a certeza que toda a sociedade irá lucrar com esta atitude.

Uma ação mal executada provoca estragos enormes, como empurrar a primeira peça de uma fileira de dominó.  Da mesma forma, uma atitude bem planejada gera incontáveis benefícios em efeito cascata para o bem coletivo - fornecedor, cliente, colaborador e sociedade.

O cliente normalmente deseja preços cada vez mais baixos sem analisar as consequências que tal exigência poderá gerar. Pretender altos lucros pensando apenas numa pessoa ou empresa jamais trará resultados positivos para a coletividade e, na maioria das vezes, nem mesmo para aquela única empresa. Fornecedores e colaboradores que recebem valores baixos não conseguem oferecer mercadorias ou serviços de qualidade por muito tempo.

Vejam o que o efeito dominó poderá provocar com a prática de valores justos nos honorários do contador:

·         Empresas contábeis eficientes.
o   praticar preços justos é diferente de cobrar caro ou barato, mas aplicar corretamente os custos e margem de lucro digna;
o   com a gestão do tempo dos colaboradores obtêm-se mais informações para administrar a organização (tempo, tarefas, custos e preços).

·         Clientes bem assessorados e satisfeitos com o trabalho do contador.
o   a cobrança de preços justos aproxima o contador do cliente, que reconhece pagar mais por um custo benefício altamente vantajoso;
o   esta proximidade permite ao cliente receber apoio para a gestão da empresa, tornando mais fácil a análise das informações e a obtenção da rentabilidade desejada.

·         Empresas duradouras e/ou longevas.
o   cercadas de profissionais competentes e continuamente atualizados  assessorando-as na geração e análise das informações, as empresas durarão mais.

·         Qualidade de vida aos cidadãos.
o   a oferta de mais empregos com remuneração justa diminui a taxa de desemprego;
o   empresas bem estruturadas que crescem e perpetuam reduzem o desperdício gerado pelas empresas que quebram, aumentando a arrecadação dos tributos que retornam para a população por meio do investimento na saúde, educação, estradas etc.

Os contadores, mais especificamente os empresários contábeis, devem dar o primeiro passo para conhecer com afinco a metodologia de precificação justa e aplicar em seus negócios. Claro que exige tempo e determinação. Veja, por exemplo, que para se graduar em contabilidade são necessários ao menos quatro anos.

Faça bem a sua parte e verá como é bonito o efeito dominó que se desenvolverá. 

Tags: dominó, preço justo, honorário, remuneração.

domingo, 8 de junho de 2014

Como se proteger do aviltamento dos honorários?

Para vencer uma guerra é necessário estudar detalhes da atuação do inimigo e, de forma unida, atacá-lo. Coibir a prostituição dos honorários contábeis exige a mesma estratégia.

Na semana passada um leitor fez a seguinte indagação no artigo que publiquei sobre os critérios para precificar os serviços contábeis: “E como ficam os que praticam o aviltamento cobrando mixarias e acumulando clientes?” Agradeço a oportunidade de poder refletir mais uma vez sobre este espinhoso tema que é o aviltamento.

Primeiramente, com o auxílio de dicionários busquei o significado de aviltamento e vejam os muitos adjetivos e que, a meu ver, são próprios para definir o que ocorre na profissão contábil: indignidade, desonra, descrédito, depreciação, desvalorização, desprezível e um termo ainda mais pesado - canalhice.

Atenção: a abordagem aqui é específica para o meio da prestação de serviços contábeis. Como acontece o aviltamento ou a prostituição do mercado? É bastante simples a técnica destes maléficos profissionais. Primeiro eles conquistam os clientes, especialmente aqueles que só enxergam o preço, oferecendo-se por valores muito abaixo do mercado, só que não entregam o serviço completo. Claro, eles prestam só uma parte do serviço, pois do contrário não teriam recursos financeiros para manter funcionários capazes, constantemente treinados e na quantidade necessária. O cliente não percebe que o serviço está incompleto, só descobrirá depois de muito tempo. E daí as atribulações podem ser grandes.

Até aqui não há nenhuma novidade e como já escrevi diversas vezes, de nada adianta chorar e/ou reclamar. É preciso planejar uma ação que bloqueie os malfeitores. Uma das formas seria fiscalização duríssima nas empresas contábeis visíveis e naquelas que ficam escondidas, principalmente. Infelizmente, esse pedido já foi implorado, sem sucesso, junto aos conselhos regionais de contabilidade.

Diante deste cenário proponho duas ações que certamente desarticularão a façanha destes predadores dos serviços de contabilidade com qualidade: divulgação e união.

Divulgação – é necessário aprender a divulgar a qualidade dos serviços. Jeffrey Thull, autor de livros e requisitado consultor na área de estratégia de vendas, disse que “para que esta venda seja bem-sucedida é imprescindível conferir ao cliente a possibilidade de entender o real valor do que você está fornecendo”. Como se pode desejar que o cliente escolha, ao invés do preço, a qualidade do serviço, se ele não compreende a real importância e necessidade daquele trabalho?

União – não dá para esperar que alguém faça o trabalho por você. É preciso unir pessoas com os mesmos ideais e debater o tema até encontrar soluções. Desenvolver campanhas de conscientização dos clientes e de fortalecimento fica mais barato quando a ação é dividida pelo grupo. Contrate consultores, palestrantes e outros profissionais do interesse mútuo.

União e divulgação são as armas que darão a vitória aos profissionais contábeis honrados e desejosos de servir a sociedade com qualidade, mas a preços justos.

Tags: aviltamento, honorário, prostituição, qualidade, contabilidade, divulgar, unir

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Você tem critérios para precificar os serviços contábeis?

Você acredita que uma indústria terá sucesso prolongado sem a adoção de rígidos controles dos custos e formação do preço de venda? Acredito que sua resposta foi não. E numa empresa contábil? Seria diferente?

Definir o preço de venda para um bem ou serviço deixa qualquer um embaraçado, pois nem sempre há, ou são desconhecidos, critérios lógicos e simples para uma determinada categoria. Dá a impressão que fazer uso de contas é tarefa para poucos, já que matemática é uma matéria pródiga em deixar traumas no tempo escolar.

A indústria talvez tenha sido a pioneira no aprofundamento do estudo da precificação, e ainda hoje se mantém na vanguarda. Com ela aprendemos muito e todo este conhecimento pode ser adequado para qualquer outro ramo de atividade. Dentro da indústria, e assim deve ser em qualquer atividade, a meta é conhecer o custo mais próximo possível do real para somente depois definir o preço de venda, ou seja, conhecer o valor que o mercado está disposto a pagar pelo bem ou serviço oferecido. Claro que o objetivo número um é produzir algo que proporcione a rentabilidade justa. Quando esta rentabilidade for negativa ou baixa é normal se optar por outro produto, mercadoria ou serviço que remunere melhor o capital investido.

Aqui se encontra o grande impasse: conhecer o custo real. Para definir o preço de venda, alguns empresários adotam critérios tais como 50% do preço da concorrência, o custo vezes dois ou R$ 100,00 por hora trabalhada, sem conseguir explicar como fizeram para chegar ao valor da hora.

Nós, empresários contábeis, muitas vezes reclamamos com razão do “aviltamento dos honorários”, o que é naturalmente possível enxergar sem fazer qualquer conta. Mas sabemos como deve ser formado o custo e descobrir a lucratividade que cada cliente gera? Se você conhece os custos, a lucratividade por cliente e tem segurança para definir o preço de venda, então você faz parte de uma pequena minoria privilegiada, senão está com a grande maioria que se encontra assustada com tudo que acontece e sem saber o que fazer, especialmente quando o cliente solicita um desconto para continuar em sua carteira. Esta e as perguntas seguintes são para você responder:

1-      quais são os critérios usados pela sua empresa para definir ou saber se o honorário do seu cliente gera lucratividade?
2-      você sente segurança para definir o valor do honorário ou dos serviços acessórios que oferece?
3-      dou o desconto ou é melhor deixar o cliente sair?

Tenho a grata satisfação de escrever semanalmente para mais de três mil leitores. Com satisfação recebo elogios e críticas, então quero dizer com bastante segurança: amigos, saiam do conforto e busquem um critério adequado para conhecer a lucratividade por cliente. O método mais adequado é fazer o controle do tempo consumido nas tarefas para o cliente. Este critério, que parece ser difícil de implantar, o é certamente, mas somente no primeiro mês. Depois se torna algo muito natural e o resultado é grandioso, a exemplo da atividade física. O começo, desanimador, se torna prazeroso à medida que os benefícios aparecem.

Participei do desenvolvimento de um software de precificação, implantei a metodologia do controle do tempo em minha empresa contábil há mais de três anos, participo de um grupo que debate este tema constantemente, escrevi o livro “Honorários Contábeis. Uma solução baseada no estudo do tempo aplicado”, que detalha o processo de implantação e proferi palestras por diversos Estados.


Este know-how me dá - ao menos, acredito -, o direito de afirmar que conhecer o valor da hora trabalhada e os tempos aplicados permite a precificação justa, além da melhor gestão da sua empresa.

Tags: Precificar, preço, honorário, custo, livro, critério, hora.

domingo, 25 de maio de 2014

O desânimo na profissão contábil é justo?

Por vezes encontramos colegas desanimados com a profissão de contador. As reclamações são muitas e por vezes justas. Mas temos o direito de desistir? Existe profissão sem pedras pelo caminho?

Na profissão de contador, os motivos para nos entregarmos ao desânimo são tantos que em alguns momentos desejamos que nossos filhos nunca optem pela contabilidade. A extrema exigência por parte da fiscalização com pesadas multas, colegas menos experientes que aviltam os honorários, excessiva legislação tributária (mais de duas por hora) que nos obrigam a estudar constantemente, perda de clientes e redução da lucratividade são alguns dos principais motivos que desestimulam os profissionais da contabilidade e os fazem pensar que qualquer outra atividade os farão sofrer menos e serem melhores reconhecidos.

Mas necessário se faz a reflexão, pois há tantas situações que também apresentam barreiras tão grandes como as nossas, ou talvez ainda maiores. Vejamos o caso de Tony Melendez, o homem sem braços, mas que superou seus limites e tocou violão numa linda apresentação para o Papa Joao Paulo II; ou Vanderlei Cordeiro de Lima, o atleta brasileiro que sonhou com a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2004 em Atenas, mas que devido ao protesto de um irlandês foi tolhido, porém não perdeu a alegria pela conquista da terceira colocação; ou da mãe etíope que vê seu filho morrer em seus braços por fome, mas alegremente o entrega a Deus.

Entendo que nós, contadores, exercemos uma profissão com tantos privilégios que só deveríamos agradecer a Deus por nos iluminar nesta escolha. Vejam alguns dos privilégios da profissão: toda empresa deve ser assessorada por um contador; o trabalho é exercido num ambiente saudável; a remuneração é acima da média do rendimento dos cidadãos brasileiros; a acirrada concorrência incentiva o profissional a manter-se constantemente atualizado, inclusive em relação à tecnologia; muitos cursos, congressos e seminários são promovidos, o que, além de contribuir para a constante qualificação profissional, permite ao contador viajar e conhecer novos lugares e pessoas; é um profissional respeitado pela sociedade, sendo o único que pode declarar, e ser aceito por todas as esferas, o rendimento de um indivíduo; por fim, digo que a magnitude da profissão é tão extraordinária que teve o seu início na Idade Moderna, dentro da igreja, por um frei.

Um pai não tem o direito de desanimar, pois é o alicerce da família. Um bom político deve dar exemplo de persistência e demonstrar que vai melhor; o piloto de um avião desgovernado deve lutar com todas as forças e calma até o último minuto na certeza que vencerá o iminente acidente; o professor da periferia sem as mínimas condições de lecionar faz o impossível e dá o que tem de melhor aos seus alunos; o maratonista não se entrega mesmo diante das adversidades e demonstra toda a alegria por finalizar a prova e o mundo o aplaude de pé pelo o que fez.

O contador é um maratonista sabedor de que a sua jornada é longa e exigirá determinação. Ele desconhece todos os obstáculos que podem surgir – alguns assustadores -, mas logo busca forças para superá-los. Pode ser até que ele não chegue em primeiro lugar, mas o pódio está garantido na vida dos nossos familiares e daqueles que torcem por nós.

Dizer que já lutou muito pela classe e isto de nada adiantou é atitude de um perdedor, pois sabemos que todas as barreiras colocadas podem e devem ser superadas. Assim conquistará forças suficientes para ultrapassar os próximos obstáculos. Quem desiste está acabado!

Não precisamos ser o profissional contábil reconhecido por toda a sociedade, mas dar o melhor de nós, sempre e sem desânimo, para contribuir com o crescimento da categoria é um dever a ser exercido com alegria, como o aviãozinho do Vanderlei Cordeiro de Lima ao final de cada nova conquista.

Tags: aviltamento, honorário, desânimo, desistir, alegria, profissão

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Líderes antigos e acomodados ou jovens sedentos por mudança?

O raio-X das empresas contábeis no Brasil revelado pela PNEC demonstra que o setor carece de verdadeira atenção de seus representantes. No entanto, a impressão que fica é que estes líderes estão noutro mundo de preocupações.

Basta acessar os diversos blogs na internet para constatar o clamor dos contadores por auxílio daqueles que ocupam cargos de representantes da classe, mas seus anseios ficam sem respostas e ações.

Nesta semana pude ler diversas mensagens desencontradas conclamando a interferência do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Conselho Regional de Contabilidade (CRC) ou qualquer outro órgão que promova algum evento para debater as dificuldades da classe, especialmente financeiras, para juntos encontrar soluções para honorários mais justos capazes de viabilizar a prestação de serviços com mais qualidade. Infelizmente o que vemos são honorários cada vez mais achatados para tentar manter o cliente, atitude que piora ainda mais o mercado, pois sem recursos é impossível investir no negócio, baixando de vez o padrão do serviço.

A Pesquisa Nacional das Empresas Contábeis (PNEC) revelou claramente a situação acima exposta, ou seja, os salários dos colaboradores tiveram que ser aumentados para que os clientes e as empresas de softwares não os tomem. Hoje o custo médio de um colaborador está acima de R$ 2 mil (é um resultado para comemorar, não fossem os baixos honorários). O honorário médio pago pelos clientes é R$ 562,52, o que obriga a existência de uma vasta carteira de clientes. As empresas contábeis são formadas, em média, por nove colaboradores e 80 clientes, então cada colaborador é responsável por praticamente 10 empresas.

Mesmo assim o faturamento caiu, na afirmação de 33% dos que responderam a PNEC. O pior é que o lucro líquido também baixou, segundo 44% dos empresários contábeis que colaboraram com a pesquisa. E como está a inadimplência, as contas vencidas há mais de 30 dias divididas pelo faturamento de um mês? Este é outro assunto que descabela os empresários contábeis. Vejam que os cheques sem fundos em março atingiram o patamar de 2,21%, segundo a Serasa Experian, e isto tem assustado. As empresas de contabilidade, que muitas vezes são as últimas a serem lembradas de pagar, têm experimentado quase 11% de inadimplência.

A classe contábil no Brasil é expressiva - são quase 500 mil contabilistas e mais de 80 mil empresas de contabilidade -, formada na maioria por jovens com idade média de 29 anos, 57% graduados e 64% dos profissionais são do sexo feminino. Estes ingredientes todos estão fazendo a “água borbulhar” e irão eclodir para se adequar aos novos tempos. O primeiro deles será a substituição dos líderes antigos e acomodados por jovens sedentos por mudanças.


Vamos substituir nossos representantes, que se encontram desmotivados, por pessoas trabalhadoras e comprometidas com a base da classe contábil?

Tags: CRC, Sescap, Sescon, preocupação, interesse, honorário