domingo, 21 de setembro de 2014

Você sabe como balancear a mão de obra dos colaboradores?

Obter maior rendimento da mão de obra é possível, mas demanda contas e comparações. Verifique quais são os clientes que exigem mais tempo e descubra os reais motivos para que isto aconteça.

Nas empresas prestadoras de serviços, o custo com a mão de obra é geralmente aquele que mais representa em relação ao faturamento. Segundo a Pesquisa Nacional das Empresas Contábeis (PNEC), o índice é de 45,23%, sem considerar o pró-labore dos sócios.

Índice tão expressivo naturalmente exige muita atenção dos gestores, pois ações acertadas gerarão custos menores e contribuirão para facilitar a penetração da empresa no mercado ou a própria lucratividade.

Para saber como a empresa está posicionada em relação aos custos com a mão de obra primeiramente deve-se totalizar todos os custos diretos com a mão de obra dos colaboradores (salários, benefícios, encargos sociais e trabalhistas etc.) e dividir pelo faturamento bruto. Depois, comparar com as pesquisas disponíveis.

A outra conta importante a ser feita é o balanceamento da mão de obra, ou seja, conhecer as horas disponíveis que a empresa possui para vender e aquelas efetivamente vendidas. De posse destas informações é possível fazer o balanceamento e saber se há ociosidade ou excedente de horas vendidas.

Para conhecer o tempo disponível calcule as horas médias que cada colaborador consegue efetivamente produzir. Por exemplo: na empresa que possui 10 colaboradores apurou-se que cada um produz 140 horas por mês, então são 1.400 horas para vender mensalmente.

Agora só falta descobrir quantas horas a empresa efetivamente já vendeu. Para fazer esta conta de forma bastante rápida tome o faturamento mensal e divida pelo preço de venda da hora trabalhada. (Se ainda não calculou a valor da hora sugiro que acesse www.gilmarduarte.com.br/2014/02/voce-conhece-o-preco-da-hora-trabalhada.html). Imagine que a empresa prestadora de serviços de contabilidade possui faturamento mensal de R$ 70 mil com base nos contratos (honorários fixos), e que o valor da hora vendida é de R$ 60,00. Então divida R$ 70.000,00 por R$ 60,00 e encontrará 1.167, que é o número de horas vendidas.

Ao deduzir as horas vendidas (1.167) das horas disponíveis (1.400) encontra-se a diferença de 233 horas, ou seja, 17%. Estas 233 horas podem ter as seguintes interpretações:
·         Ociosidade – há tempo disponível que poderá ser ocupado com a contratação de novos clientes;
·         Serviços acessórios – há tempo disponível, mas o mesmo é ocupado com serviços acessórios aos próprios clientes, tais como constituição e alteração de sociedades, elaboração de contratos, consultoria etc. Estes serviços são faturados aos clientes e normalmente o valor da hora é maior.
·         Ocupação desordenada do tempo – as tarefas são mal planejadas e acompanhadas, exigindo muito mais tempo para ser desenvolvidas.
·         Tempo excessivo – alguns clientes exigem muito tempo para executar todas as tarefas contratadas, o que sugere a renegociação do honorário (vender mais horas).

A partir do balanceamento deve-se buscar a redução máxima do tempo aplicado para executar cada tarefa, obtendo assim maior lucratividade ou preços mais competitivos.

Tags: balanceamento, custo, hora, honorário, Pnec, ociosidade, tempo

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Invista no tempo e conquiste mais lucro

Invista tempo nas coisas certas, pois é garantia da boa colheita. “Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou” (Eclisiaste 3,2).


A falta de disciplina, organização ou ainda pode-se dizer um critério adequado para trabalhar, estudar ou fazer qualquer atividade torna ela pouco produtiva e maçante. Esta reação é natural, pois quando não se tem a técnica necessária para fazer bem determinada coisa, haverá pouco resultado e assim o desprazer em executá-la.

Para conseguir alto rendimento naquilo que fazemos e consequentemente a satisfação é necessário que sejamos bons naquilo. É fundamental investir tempo e recursos para atingir a meta de resultados positivos e o melhor de tudo é a satisfação. Popularmente se diz que quem faz aquilo que gosta não precisa trabalhar, mas trabalha muito mais, pois trata-se de uma atividade prazerosa e não de tarefa sofrível.

Entendo que a livre concorrência é adequada ao mercado, mesmo que muitas vezes nos fazem perder noites de sono para tentar compreender o melhor processo que permita ganhar dinheiro suficiente para manter o negócio, remunerar adequadamente os colaboradores, fazer novos investimentos e sobrar lucro.

A "Falta de tempo é desculpa daqueles que perdem tempo por falta de métodos” coerentes disse Albert Einsten, e é com base nessa frase inspiradora que busco meios que permita-me enfrentar o mercado com respeito, mas decididamente pela lucratividade para todas as atividades que exerço e especialmente na profissão da prestação de serviços contábeis.

O método de precificar com base no tempo investido em cada cliente exige, especialmente, a aplicação do nosso tempo para a implantação, apontamento das tarefas e análise dos resultados. Alguns empresários da contabilidade dizem que não concordam em gastar tempo para controlar as tarefas e portanto ficam à espera de algum modelo que fará este processo automaticamente. Adoto este padrão há quase 4 anos e testemunha nas palestras e treinamentos as vantagens. Veja os principais benefícios que serão conquistados por quem o adota com disciplina:
·         Conhecer o tempo investido em cada cliente;
·         Saber a lucratividade por cliente;
·         Controle das atividades dos colaboradores;
·         Registro dos serviços acessórios para facilitar a cobrança;
·         Permite saber quais as atividades que precisam ou podem ser otimizadas;
·         Facilidade para o controle do banco de horas dos colaboradores;
·         Medir faltas abonadas, tempo dos serviços etc.;
·         Funciona como um diário, protocolo ou registro de informações p/ consultas e comprovação daquilo que foi feito.

Desejar melhor desempenho fazendo do jeito antigo pode ser uma ilusão no mundo moderno. Busque informações sobre esta metodologia e descubra que o custo necessário é muito pequeno em relação aos grandes benefícios que serão conquistados. Depois de algum tempo até parece milagre o volume de informações disponíveis para a tomada de decisão, mas é simplesmente a adoção de técnicas estudas por um grupo de abnegados empresários contábil.

Tags: custo, benefício, tempo, lucro, investimento 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Quanto tempo é necessário para atender um cliente?

Saiba qual é a média de tempo destinada à prestação de serviços de contabilidade para um cliente e ateste sua eficiência.

Sinto-me renovado a cada reunião da Comissão de Precificação dos Serviços Contábeis (Copsec), do Sescap/PR, da qual participo. Assim aconteceu no encontro realizado nesta última sexta-feira, 29, na cidade de Cascavel, sudoeste do Paraná. O grande empenho de todos os membros para contribuir com o crescimento e a valorização da classe contábil é por demais animador.

A pauta estava recheada de temas instigantes e em breve a ata será divulgada pela entidade, mas destaco o firme propósito de um seminário de precificação que deverá acontecer entre o final deste ano e o início de 2015, que certamente será um marco na valorização da categoria.

O segundo e último destaque que faço, pois somente desejo despertar o interesse para a leitura da ata no formato de artigo, é a iniciativa de comparar o tempo investido para atender aos clientes ao invés da tradicional pesquisa do honorário médio.

Cada membro da comissão compartilhou o tempo médio mensal investido para atender três clientes com as seguintes características:
·         optante pelo regime tributário do Simples Nacional;
·         com 5 a 10 funcionários;
·         faturamento médio mensal de R$ 60 mil;
·         inclusão dos serviços de escrituração fiscal, contabilidade, folha de pagamento e serviços acessórios rotineiros.

Naturalmente o resultado final pode servir de parâmetro para sabermos a eficiência da nossa empresa. Certamente estes números ainda possuem uma base pequena e por isso há o desejo de investir numa pesquisa maior que contribuirá de forma mais significativa.

Somente para aguçar o seu interesse por este método de precificação - o tempo investido -, informo que para atender um cliente com sete funcionários, faturamento de R$ 55 mil e com as demais informações já fornecidas acima, o tempo médio empregado foi de quase 11 horas.

Você tem o controle do tempo investido em seus clientes? Parabéns aos que já fazem uso desta metodologia e proponho que comparem o tempo aplicado com a nossa breve pesquisa. Aos que ainda não tiveram a oportunidade de conhecer as vantagens de medir o tempo destinado ao atendimento dos clientes sugiro buscar informações e começar o mais rapidamente possível.

Sugira ao seu sindicato fazer como o Sescap/PR, que investe nos associados para viabilizar a maximização da rentabilidade de seus representados. Uma proposta pode ser a formação da comissão de precificação.

Tags: Pesquisa, tempo, Copsec, Sescap, eficiência

Gilmar Duarte da Silva é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do livro "Honorários Contábeis" e membro da Copsec do Sescap/PR.

domingo, 24 de agosto de 2014

“Anatomização do tempo”, na prestação de serviços

Ganhar produtividade para maximizar a rentabilidade na prestação de serviços é a meta de todos os empresários, mas nem sempre a ferramenta certa está disponível. Estará agora?

Quando prestamos serviços e não temos funcionários aparenta que o rendimento na execução das tarefas é altamente produtivo, mas depois que aumenta o número de clientes e há necessidade de contratar colaboradores surgem as dificuldades e dúvidas sobre o controle e rendimento dos trabalhos.

Muitas vezes se conclui que os colaboradores não apresentam a mesma destreza e produtividade ou talvez é o gestor que não detém ferramentas para acompanhar, medir e cobrar resultados.

A prestação de serviços pode ser vendida de diversas formas: tamanho do cliente, número de funcionários, regime tributário etc., mas para medir e definir o custo da execução o modo que normalmente é mais expressivo e fácil de implantar é aquele com base no tempo investido.


Adoto essa metodologia em minhas empresas há mais de três anos e constantemente procuro aprimorá-la a fim de oferecer serviços com melhor qualidade, preço competitivo e lucratividade.

A intensa troca de experiência com os colegas empresários, por meio de frequentes visitas, nos permite observar que os colaboradores precisam saber quantas horas mensais poderão investir para executar as tarefas do cliente para que ele seja lucrativo. Assim implantamos melhorias no software de apontamento CTpres – Controle do Tempo e Precificação dos Serviços, que mostra a tabela “Anatomização do Tempo”, ou seja, o tempo vendido para cada cliente por setor (contabilidade, RH, escrita fiscal etc.) e aquele que já foi consumido. Esta informação é atualizada segundo a segundo e quando o tempo planejado foi extrapolado a linha do cliente fica marcada na cor vermelha.

O acompanhamento a posteriori, ou seja, somente depois que terminou o mês, não é o ideal, pois nada mais pode ser feito em relação ao que já passou. Desta forma agora ele é monitorado diariamente.

Constantemente o gerente e todos os colaboradores envolvidos sabem qual é a meta e como está a evolução. Esta rotina foi batizada de Anatomização do Tempo, que nada mais é que a dissecação do tempo pelos setores envolvidos.

Com este recurso consegue-se aumentar a produtividade não somente porque todos se empenharam em produzir mais, mas porque quando é identificado um problema que faz extrapolar o tempo num cliente logo o mesmo é tema de debate para encontrar a melhor solução.

Tags: Tempo, controle, produtividade, CTpres, lucratividade


Gilmar Duarte da Silva é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do livro "Honorários Contábeis" e membro da Copsec do Sescap/PR.

domingo, 17 de agosto de 2014

Inovação e determinação, as chaves do sucesso

As empresas nada mais são do que as pessoas que as administram. Então é preciso que estas sejam sonhadoras, inovadoras e determinadas, caso contrário poderão estar fadadas ao insucesso.


Manter-se constantemente motivado na vida familiar e profissional é uma tarefa árdua. É comum encontrarmo-nos prontos para desistir devido às inúmeras dificuldades diárias. Por vezes parece que tudo conspira contra nós. Desejamos fazer algo que consideramos justo e importante, mas surgem tantas barreias que fazem parecer ser melhor desistir antes de nos depararmos com colegas, clientes ou fornecedores que nos taxarão de complicados, chatos, sonhadores, “dinheiristas” ou qualquer outro rótulo que poderá nos destruir.

Você pensa que as grandes mudanças pelas quais o mundo passou foram resultado de imediata aclamação e exaltação?

·         Quando Henry Ford desejou produzir em série - linha de produção - todos consideraram uma loucura. Ele venceu, pois criou uma nova forma de produzir muito mais com menos;
·         Quando Galileu defendia, contra todos, que a Terra não era o centro do universo, quase lhe tiraram a vida, mas ele estava certo;
·         Quando, nos Estados Unidos, Rosa Parks, uma senhora negra de meia-idade, se recusou a levantar para ceder o lugar a um homem branco nos anos 1950, a julgaram insana. Mas este ato pacífico de desobediência civil revolucionou o país discriminatório e racista.

As grandes transformações só acontecem porque surge alguém que pensa completamente diferente dos demais. Este são, normalmente, apedrejados, mas se forem determinados poderão atingir o sucesso e ser registrados na história como uma pessoa que contribuiu para o mundo ser um pouco melhor.

Temos de aprender a aprender, conforme disse Aristóteles. “Pois as coisas que temos de aprender antes de fazê-las, nós aprendemos fazendo-as”. Também é necessário ser mais determinados. “Eu me recuso a reconhecer que existam impossibilidades”, disse Ford.

Com este artigo, inspirado nas pessoas que se tornaram ilustres, conclamo os contadores para buscar a eficiência na prestação dos serviços com o investimento nas tecnologias e o seu poder de criar para reduzir o tempo e a forma de executar as tarefas. Assim será possível competir com os baixos honorários, mas com lucratividade cada vez maior, como aconteceu na Ford Motor Company.

Acredite que sempre é possível fazer melhor e opte por correr alguns riscos.

Tags: Determinado, inovar, Ford, Aristóteles, sonhar, honorário, contador

Gilmar Duarte da Silva é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do livro "Honorários Contábeis" e membro da Copsec do Sescap/PR.

17/08/2014

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Inadimplência e perdas com clientes são itens distintos – Parte II

Em artigo anterior tratamos da inadimplência, que é o atraso no recebimento dos clientes. Neste abordaremos a importância do controle das perdas, ou seja, a falta do recebimento em definitivo.

A simples inadimplência foi interpretada como atraso temporário do pagamento do compromisso por parte do cliente. Definimos como “simples” porque a perda é mais dolorosa e pode representar 100% do serviço prestado ou do bem comercializado. Assim podemos dizer que perda é a privação de uma coisa que se possuía, um prejuízo ou um dano, podendo ser parcial ou total.

Antes da declaração de perda deve-se ter certeza de que o processo de inadimplência foi realizado e que todas as possibilidades para viabilização do recebimento foram esgotadas. Em alguns casos a perda poderá ser anunciada logo no vencimento, ou até antes, isto quando acontece o golpe nas mais diversas modalidades. Uma pessoa ou mais planeja o ataque: faz compras com documentos falsos e desaparece. Quando isto acontece, normalmente a única ação é o registro da reclamação na polícia para posterior contabilização do prejuízo. Tal façanha acontece com menos intensidade na prestação de serviços.

Confirmada a perda, ou seja, decorrido o processo da cobrança administrativa e judicial, resta apenas efetuar o controle deste índice para que o mesmo não ultrapasse os limites pré-estabelecidos, suficientemente para colocar em risco a continuidade do empreendimento.

Na apuração do índice de perda, quanto maior for o período utilizado, mais preciso será o cálculo. A conta é feita com base no histórico de perdas. Quando a empresa inicia as atividades deverá pesquisar o índice do ramo de atividade em que atuará. Aquelas que já estão há algum tempo no mercado deverão fazer com base em seus dados para saber se a política de crédito está adequada e inclusive apreciar as pessoas que compõem o setor de crédito e cobrança.

O período a ser utilizado deve ser aquele em que todas as possibilidades de cobrança foram esgotadas. Para conhecer o índice médio de perdas com clientes é necessário, primeiramente, saber qual é o prazo de pagamento oferecido nas vendas. Em nosso exemplo vamos considerar 30/45/60 dias do faturamento. Outra informação necessária é definir quando decretar o compromisso perdido depois de vencido. Aqui, para exemplificar, adotaremos 120 dias do vencimento.

Desta forma, para o exemplo acima, a venda que foi realizada há mais de 180 dias (60 de prazo para o pagamento e mais 120 de vencido) já será tratada como perda, mas naturalmente nunca deixamos de ter esperança de recebê-la um dia.


Para calcular o índice de perda tome o faturamento máximo possível do período que antecede os seis meses (180 dias) e, do mesmo intervalo, os valores perdidos. Divida o menor pelo maior e descubra o índice de perda do seu negócio. Este índice deve ser considerado no momento de precificar o serviço, mercadoria ou produto.

Tags: perda, inadimplência, índice, cobrança

Gilmar Duarte da Silva é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do livro "Honorários Contábeis" e membro da Copsec do Sescap/PR.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

“Isto é Conta de Contador”...

Jargão de péssimo gosto de um representante do Governo Federal tenta desvalorizar a classe contábil. Será que ele tem razão naquilo que falou?

No domingo passado (27/07/14), na Globo News, três economistas indicados pelos candidatos à presidência da República, Aécio Neves (PSDB), Dilma Rouseff (PT) e Eduardo Campos (PSB) foram entrevistados para discutir as propostas dos concorrentes ao cargo máximo do executivo nacional.

O economista Márcio Holland, indicado da petista, esforçou-se muito para defender a política atrapalhada que Dilma vem comandando, mas claramente foi trucidado pelos adversários. No decorrer do debate, Gianetti, que representou Eduardo Campos, chegou a dizer ao colega: "Entendo sua posição de ter que defender o que foi feito nos últimos anos, mas não dá pra tapar o sol com a peneira."

Em minha opinião, o momento mais deplorável do representante da presidente e candidata à reeleição aconteceu quando ele atacou gratuitamente a classe contábil, aquela mesma que é a principal parceira do governo, segundo eles, para a legalização das empresas e a redução da sonegação tributária.

Este "economista", ao tentar se defender do abuso do governo ao conceder empréstimos incentivados do BNDES, mas que não está pagando a conta, rebateu dizendo que isto "é conta de contador". É notório que o objetivo dele foi dizer que os números não podiam ser vistos com a simplicidade ponderada pelos adversários. Tentou dizer que 2 mais 2 necessariamente não deve ser 4, mas pode ser 5, 10 ou 20. Claramente observou-se o famoso jeitinho brasileiro tão banalizado, especialmente no meio político.

Naquele momento fiquei muito desapontado por observar pessoas pagas com os nossos tributos fazendo uso de emissoras com alta audiência para proferir absurdos e tentar banalizar o trabalho sério da classe contábil brasileira. Mas refleti muito no decorrer da semana e observei que, sem querer, ele falou a verdade. Conta de contador é exata! 2 mais 2 sempre foi 4 e para os contadores nunca deixará de ser.

Ao interpretar um número, por exemplo, o Índice de Liquidez que o balanço aponta para 0,8, não dizemos qualquer outro número, pois a verdade é exatamente 0,8. Os contadores podem e fazem análises com mais profundidade. Vejamos, a título de exemplo, algumas análises proferidas pelos contadores:

    . No exercício anterior o índice foi maior, porém neste os investimentos para o aumento da produção exigiram a redução da liquidez imediata.

    . A tendência para os próximos dois exercícios é que o índice caia um pouco mais, podendo chegar a 0,6, mas depois voltará a crescer até chegar ao desejável, que é 1,2.

    . Observem que o índice de liquidez caiu, mas a lucratividade teve crescimento de 5% em relação ao ano anterior.

No exemplo acima, vejam que foi justificado o mau desempenho de um indicador com informações verdadeiras, sem necessidade de mentiras ou ofensas. Está é a atitude do contador.

Parabéns, contadores, e continuem fazendo Conta de Contadores, pois aos poucos conseguiremos transformar o Brasil numa nação séria. Elegeremos representantes honestos e estes indicarão auxiliares igualmente honestos que jamais aceitarão cargos para mentir ou ofender o seu povo.

Leia sobre a entrevista em http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2014/07/28/internas_economia,552778/economistas-de-presidenciaveis-debatem-cenario-economico.shtml

Tags: conta, contador, Dilma, Holland, economista,


Gilmar Duarte da Silva é contador, diretor do Grupo Dygran, palestrante, autor do livro "Honorários Contábeis" e membro da Copsec do Sescap/PR.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Inadimplência e perdas com clientes são itens distintos

Muitas vezes parece que inadimplência e perda tratam-se da mesma coisa, mas são totalmente diferentes. O controle de ambas é de vital importância, pois se for malfeito pode colocar o empreendimento em "maus lençóis".

O cliente contrata o serviço ou produto do fornecedor e espera recebê-lo dentro do prazo combinado, para que consiga também honrar os seus compromissos. Infelizmente e por diversos motivos o atraso no recebimento pode ser significativo em alguns ramos de atividade. Assim, é necessário conhecer a média da inadimplência no ramo da sua empresa e sempre que possível ter capital de giro para suportar.

Conhecida a média da inadimplência no seu ramo de negócio, o primeiro passo é manter rigoroso controle para não extrapolá-lo, e o segundo é ir em busca da eficiência, ou seja, deixar o atraso dos clientes o mais próximo possível de zero.

O atraso dos clientes, conforme já foi dito, acontece por diversos motivos e podemos classificá-los em dois: internos e externos.

Causas internas: provocadas pelo fornecedor, podem ser classificadas em negligência ou opção pelo risco. A negligência ou a falha interna deve ser imediatamente constatada, analisada e corrigida. Quando a causa interna foi consequência de opção por assumir o risco resta rever a política interna e se há necessidade de adequação.

Causas externas: as causas externas ocorrem quando não há erro ou culpa do fornecedor, mas fatos impossíveis de ser previstos. As principais causas externas e que devem ser rigorosamente acompanhadas são: cliente com problemas momentâneos, mercado, crise, desemprego, ações de governo e fatores econômicos internacionais.

Ao dar início ao processo de cobranças do cliente inadimplente primeiramente deve-se buscar saber qual é o motivo da não quitação do título. Se foi por causas internas (do fornecedor), como, por exemplo, a falta de entrega do serviço ou produto, será necessário regularizar a falha e pactuar novo prazo de vencimento.

O cálculo da inadimplência pode ter bases (faturamento) diferentes de acordo com o ramo de atividade. Para as empresas contábeis sugerimos totalizar os honorários vencidos há mais de 30 dias, mas com reais possibilidades de recebimento, e dívida pelo faturamento do último mês que faz parte dos atrasos. A Pesquisa Nacional das Empresas Contábeis (PNEC) deste ano apontou 10,8% de inadimplência no ramo.


Na próxima semana escreveremos sobre as perdas com recebimentos de clientes que é diferente da inadimplência.


Tags: inadimplência, perda, PNEC, honorários, atraso, recebimento

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Pesquisa de mercado amplia e qualifica conhecimentos

A pesquisa é a ferramenta que permite aprofundar conhecimentos. Ela pode ser aplicada em qualquer área, inclusive no meio empresarial, para conhecer o comportamento dos clientes.

A pesquisa de mercado bem estruturada gera resultados excepcionais antes mesmo de ser colocada em ação, ou seja, só o fato de planejar faz com que entendamos mais o objeto de estudo. O alvo deve estar claro a fim de que os questionamentos sejam precisos. Em caso de muitas dúvidas suscitadas junto ao público é melhor que a pesquisa seja dividida e aplicada em tempos diferentes para que as conclusões sejam nítidas.

Infelizmente as ferramentas de pesquisas são pouco utilizadas pelas pequenas empresas e os principais motivos alegados são o desconhecimento da metodologia e o alto custo das mesmas.

        O auxílio do profissional especializado em pesquisas contribuirá para a obtenção de melhores resultados. Nos casos em que esta contratação não for possível orientamos se aprofundar no processo inconsciente que leva qualquer cliente à tomada de decisão, pois dará mais subsídios para a implantação da pesquisa. Este modelo genérico está dividido em quatro etapas:

        . reconhecimento da necessidade;
        . busca de informações;
        . avaliação das alternativas;
        . opção (processo de decisão).

        O processo mais assertivo para conhecer o mercado é compreender como um negócio se concretiza. Para isso é indispensável analisar o comportamento dos consumidores, fornecedores e da concorrência. A observação e a pesquisa são peças fundamentais para este método, capaz de retratar fielmente nichos lucrativos de produtos ou serviços.

        A investigação começa no planejamento. Discutir amplamente o que se deseja saber, quais perguntas que devem ser formuladas e como abordar o cliente são os pontos prioritários. A aplicação da pesquisa, ou seja, a coleta das informações primárias pode ser feita com a adoção das seguintes ferramentas:

        . entrevista (telefone ou pessoalmente);
        . pesquisa (internet ou pelos Correios);
        . questionários (internet ou pelos Correios).

        Invista no estudo dos aspectos que envolvem a tomada de decisão, pois contribuirá para melhor elaborar a entrevista, pesquisa ou questionário, e os resultados serão contundentes.

        A pesquisa de mercado poderá abrir os nossos olhos e permitir a descoberta de oportunidades de negócios. Assim também sairemos na frente dos concorrentes.


Tags: pesquisa, oportunidades, investigar, entrevista, decisão